domingo, 29 de janeiro de 2012

Coluna 91 - publicada no jornal Correio Agudense - Edição de 26OUT2011

UMA VISITA SAUDADA – a visita de Jorge Gerdau Johannpeter à Agudo, ocorrida em 2001


UMA VISITA SAUDADA – Na coluna da semana passada fiz memória da visita de Jorge Gerdau Johannpeter à Agudo, ocorrida em 2001. Continuo no tema.
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No final da tarde daquele 17 de outubro, na visita ao Museu Histórico do ICBAA a segunda manifestação do visitante – a primeira havia se dado no descerramento da placa alusiva, no Monumento ao Imigrante. O pronunciamento foi pautado na visão cultural sua e do Grupo Gerdau e no sentimento despertado pelo momento. Louvou o trabalho de pesquisa do Professor William Werlang para a família Gerdau, reconhecendo o pioneirismo deste na compilação de dados e levantamento de sítios históricos de sua família. Olhou em torno de si e viu pessoas de boa vontade, reunidas em um espaço rico de significado e conteúdo, mas de limitada estrutura física. Esta percepção lhe motivou a declarar que desejava ajudar Agudo e via no Instituto Cultural Brasileiro Alemão a entidade onde os propósitos da comunidade se sintonizavam com a visão dos Gerdau: uma estrutura que cuida da memória e da história do povo, aspecto que ele preconizava como primordial. Autorizou a diretoria casa de cultura agudense a elaborar um projeto de revitalização e ampliação do prédio.
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Disposta a empreender, a Presidente do Instituto Cultural Brasileiro Alemão na época, Dila Clara Poetter Pfeifer, reuniu os dirigentes, convidou aos engenheiros Aldo Ito Paul e Carlos Henrique Roggia para desenvolver o projeto técnico e convidou a mim para montar o processo com os argumentos cabíveis. Em sua pureza de pensar, dona Dila Clara tinha pudores de que um projeto mais audacioso ofendesse o Dr. Jorge - como se passou a referir o descendente de Agudo – e relutou em cogitar mais do que uma reforma no prédio existente; algo orçado em dez ou onze mil reais. Foi necessário que o Diretor do Instituto Gerdau, José Soares Martins, interviesse para que a intenção manifesta de custear a remodelação total do prédio ganhasse viso. Resumindo a ópera, em 22 de julho de 2005 Agudo recebeu um novo Instituto Cultural Brasileiro Alemão, onde foram investidos exatos R$ 189.948,16, recursos originados do enquadramento do projeto no sistema LIC – Lei de Incentivo à Cultura, do Governo do Estado, e captados, até o último centavo, dentro do Grupo Gerdau. Isto significa dizer que o Grupo Gerdau se valeu de uma possibilidade legal de destinar parte dos impostos que deviam recolher ao erário estadual diretamente para a obra de ampliação do Instituto.
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O tema não se esgotou; volto a ele.
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O Instituto Cultural Brasileiro Alemão de Agudo fechou a agenda para o ano e já pensa na comemoração de seus 30 anos, em 2012.
- Dias 6 e 13 de novembro – domingos, acontecerá a segunda edição do Torneio de Devagar – evento lúdico que alcançou sucesso na edição de 2010 e merece ser repetida e ampliada. Já tgem premiação assegurada.
- No feriado de 15 de novembro, às 20h00, o Auditório João Gerdau será palco da exposição da vida e obra do Pastor Brauer, um projeto do historiador William Werlang, que encerra as comemorações do centenário de nascimento do reverendo e patrono do Museu Histórico que funciona no ICBAA, em co-gestão do Município com a entidade.
- Em 9 de dezembro o Natal de Luz de Agudo será organizado pelo ICBAA em ação conjunta com o Município.
- Para comemorar os 30 anos de fundação, em 5 de maio de 2012, cogita-se em trazer novamente o pianista Mateus Costa, para repetir o aplaudido recital do advento do ano passado.
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O Instituto Cultural Brasileiro Alemão agradece a quem contribuiu adquirindo cartelas de sua rifa lançada em abril. O sorteio foi realizado na sexta-feira passada. Foram premiados os seguintes colaboradores: 1º prêmio – Rosangela Marilene Rohde Wilhelm; 2º prêmio – Madalena Schieck; 3º prêmio – Jessy Berger; 4º prêmio – Janaina Strassburger e 5º prêmio – Wipasa. A rifa rendeu, descontada a premiação, R$ 2.695,00, investidos na complementação do custo de instalação do Memorial Pastor Brauer (R$ 1.347,00) e na aquisição de equipamentos necessários à manutenção da entidade.
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Sem mais palavras, no meio do turbilhão da vida, lhes desejo, mais uma vez e sempre Paz e Bem!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Coluna 90 - publicada no jornal Correio Agudense - Edição de 19OUT2011

UMA VISITA SAUDADA – Segunda-feira fez 10 anos da visita de Jorge Gerdau Johannpeter à Agudo. Um descendente repisou os passos de João Gerdau na Colônia Santo Ângelo. O 17 de outubro deste ano foi de igual luminosidade e frescor primaveril ao de 2001. Naquele dia a expectativa da visita do antão ainda Diretor Presidente do Grupo Gerdau – a maior empresa do Sul do Brasil – absorveu a atenção de Agudo inteiro, fez preocupado quem devia cuidar de que tudo desse certo e coroou o êxito de quem a havia pensado.
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Os Gerdau Johannpeter souberam de suas raízes agudenses (na verdade cravadas na Colônia Santo Ângelo, então ainda Cachoeira do Sul) a partir das pesquisas do historiador William Werlang. A fidedignidade das informações compiladas pelo agudense Mestre em História desfez a equivocada impressão de que tivessem partido para a capital, passando por Cachoeira do Sul, saídos de Santo Ângelo, município do Planalto Médio gaúcho.
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Envolvido nas metas e resolvido em difundir o Programa Gaúcho de Qualidade e Produtividade – PGQP – em Agudo, o empresário Airton Leonardo Wilhelm, com atilada visão de futuro, aproximou-se de Jorge Gerdau – liderança absoluta do programa no RS (e depois também no país) – e torpedeou: o senhor tem que visitar a terra de seus antepassados! Atraído pela curiosidade de saber como seria o lugar d’onde vinham seus predecessores, o convite foi aceito. A visita teria um caráter particular, pois o Grupo Gerdau comemorava o Centenário de existência.
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A Câmara Municipal, consciente da relevância da visita, aprovou conceder ao visitante o título honorífico Cidadão Agudense. O Prefeito Reetz devia conduzir o neto da terra do aeroporto até o Monumento ao Imigrante, em Cerro Chato (a Esplanada do Monumento foi inaugurada apenas em 2007). O PGQP já obtivera a adesão de mentes brilhantes em Agudo e o patrono da Qualidade Total apadrinharia a instalação formal do Comitê Regional da Qualidade de Agudo – CRQA. Estes seriam os atores que oportunizariam a Jorge Gerdau momentos de encontro com o presente de uma terra onde a família vivera um passado que não conhecia.
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No roteiro foram visitados o túmulo de sua tia-avó, Sophie, no Cemitério Luterano, a Igreja Luterana, a residência Alfonso Luther (em Linha Teutônia), a ponte do Rio Jacuí (Várzea do Agudo), o lote onde a família residiu (onde hoje é a Metalúrgica de Romeu Binder). O café da tarde foi degustado na residência de Elisabetha Roos, (com Móveis Gerdau), e, mais tarde a comitiva estacionou  no Instituto Cultural Brasileiro Alemão de Agudo – ICBAA. Já noite, a Sessão Solene foi instalada no Clube Centenário, onde também se deu a assinatura da instalação do CRQA. Honrando a terra que o acolheu, hospedou-se no Bel Recanto e, na manhã seguinte, antes das 6 horas, recebeu convidados para o café da manhã de despedida.
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Na visita ao ICBAA, dentro do Museu Histórico, mostrou-se comovido por conhecer a gente e pisar esta terra que não sabia existir. Disse que desejava ajudar Agudo.
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Cumprindo a promessa, Jorge Gerdau Johannpeter cuidou de que houvesse ações concretas. E foram muitas – porém, me atrevo a afirmar, certamente menos do que desejava. O que já aconteceu relatarei em próximas colunas.
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Um momento singular para todos – a audiência no ICBAA, em foto de Marci Drescher.


 
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Sem mais palavras, no meio do turbilhão da vida, lhes desejo, mais uma vez e sempre Paz e Bem!

Coluna 89 - publicada no jornal Correio Agudense - Edição de 12OUT2011

Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná são comparados e mostrados. (...) Das 500 maiores empresas, 201 estão no RS, 179 no PR e 120 em SC.

PRIMEIRO, SEGUNDO, TERCEIRO – Na semana passada Agudo foi surpreendido com a divulgação do Ranking Transparência, do Tribunal de Contas  do Estado (TCE) (www.tce.rs.gov.br/Ranking Transparência), onde estão enfileirados Prefeituras e Câmaras Municipais do RS segundo seu grau de transparência, assim medida pelo nível e quantidade de informações disponibilizadas em seus portais na Internet. Entre as Câmaras Municipais a de Agudo aparece em 7º lugar, junto com a de Nova Petrópolis. Os Legislativos que o TCE conclui terem melhor índice de transparência são de Porto Alegre, Arambaré e Carazinho. As Câmaras de Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Garibaldi e Uruguaiana estão entre a 1ª e a 7ª colocação.
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A Câmara de Agudo[Digite uma citação do documento ou o resumo de uma questão interessante. Você pode posicionar a caixa de texto em qualquer lugar do documento. Use a guia Ferramentas de Caixa de Texto para alterar a formatação da caixa de texto da citação.]
 é a sétima mais transparente do Estado. Esta informação é positiva. A realidade digital e virtual permite que se acompanhe a dinâmica das ações de pessoas, empresas, órgãos e governos, desde que haja disposição para pesquisar e para mostrar. Na Câmara Municipal de Agudo as sucessivas Mesas Diretoras e a estrutura administrativa e operacional permanentes entendem que o portal www.camaraagudo.rs.gov.br deve ser uma fonte de dados onde se pode acessar o que tramita  e o que é notícia na Câmara, a legislação municipal, estadual e federal, e onde se possa saber como são investidos os recursos de seu orçamento. Um exemplo de ser transparente é a informação sobre uma das despesas públicas mais polêmicas – as diárias, que a Câmara de Agudo mostra, com detalhes, desde 2008.
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Agudo pode orgulhar-se de seu legislativo, ao menos neste aspecto. Avaliações outras, normalmente instadas com subjetivismo, não servem para medir com isenção – são avaliadas pela opinião pública e pelas urnas.
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O Executivo de Agudo, embora avaliado, não consta no ranking, onde foram listados apenas os situados até a 20ª posição.
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Neste mês foi dado a conhecer, também, o ranking Grandes & Líderes, apontando as 500 maiores empresas do Sul do Brasil, na avaliação da Revista Amanhã. Grandes & Líderes é o maior levantamento regional de empresas do país e obedece a rigorosa auditoria das informações que embasam a classificação – o balanço das empresas, publicado na forma da lei ou fornecido.
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Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná são comparados e mostrados. Partilho algumas das informações.
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 Das 500 maiores empresas, 201 estão no RS, 179 no PR e 120 em SC. Das empresas gaúchas, 87 (43%) estão em Porto Alegre, 27 (13,4%) em Caxias do Sul, 7 em Bento Gonçalves e 6 em Novo Hamburgo. Os municípios de Canoas, Erechim e Passo Fundo tem 5 cada. As demais estão distribuídas pelo Estado. Na região central estão instaladas 6 das maiores:  Metalúrgica Mor S/A (223ª) e Hoelzel Participações e Empreendimentos S/A (369ª) estão em Santa Cruz do Sul, Camnpal (320ª) em Nova Palma, Unifra (249ª) em Santa Maria, Cotrisel (257ª) em São Sepé e CTA – Continental Tobbacos Alliance S/A (97ª) em Venâncio Aires.
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Liderando o levantamento Grandes & Líderes está o grupo Grupo Gerdau, gaúcho com tênue rastro em Agudo. A única outra empresa gaúcha das 10 maiores é a Refap S/A – Refinaria Alberto Pasqualini, de Canoas, em 7º lugar; das outras 8 empresas são 5 paranaenses e 3 catarinenses.
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A dupla Grenal também foi classificada. Os dados dos clubes enquanto empresa instalam o Sport Clube Internacional em 155º lugar e o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense em 452º.
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UM ANO SE PASSOU do resgate dos 33 mineiros chilenos, que ficaram 87 dias soterrados a mais se 700 metros de profundidade – os Aparecidos do Atacama, como os denominei na coluna da edição daquela data. Os sobreviventes ganharam fama, viagens e presentes. Hoje são, de novo, sobreviventes, mas da insônia e da falta de dinheiro, pois a estatal chilena recém começou a pagar as indenizações.
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Paz e Bem!

Coluna 88 - publicada no jornal Correio Agudense - Edição de 05OUT2011



PAZ E BEM! Onde há caridade e sabedoria, não há temor nem ignorância. / Onde há paciência e humildade, não há ira nem perturbação. / Onde a pobreza se une à alegria, não há cobiça nem avareza. / Onde há paz e meditação, não há nervosismo nem dissipação. / Onde o temor de Deus está guardando a casa, o inimigo não encontra porta para entrar. / Onde há misericórdia e prudência, não há superfluidade nem dureza de coração. (São Francisco de Assis)
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Ontem foi 4 de outubro, dia consagrado a São Francisco de Assis – o protetor dos animais, o santo da paz, o criador do presépio natalino; inspiração e guia de quem deseja e alimenta que um mundo de harmonia e não-violência é possível.
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Declino dos temas cotidianos para dar eco a mensagens, preces e admoestações de São Francisco. É dele a frase de estímulo que perpassa o tempo como mantra de quem acredita em si mesmo: Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível. Também se lhe atribui a assertiva que diz serem equivalentes as pessoas ainda que dotadas de talento e saber diversos - Ninguém é suficientemente perfeito que não possa aprender com o outro e ninguém é totalmente destituído de valores que não possa ensinar algo ao seu irmão.
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O jovem de Assis que abdicou da riqueza e nobreza de seu berço familiar e, ante a Cruz de São Damião escutou, em espírito, a mensagem divina de reformar a Igreja de Cristo, tem sua vida e obra associada a promoção da paz, pela qual rezou: Senhor! Fazei de mim um instrumento da tua paz! Onde houver ódio - faze que eu leve o amor. Onde houver ofensa que eu leve o perdão. Onde houver discórdia - que eu leve a união. (...) Ó Mestre! Fazei que eu procure mais consolar, que ser consolado; compreender que ser compreendido; amar que ser amado....
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Estudos e reflexões do Conselho Internacional de Justiça, Paz e Integridade da Criação, da Ordem, dos Frades Menores, sistematizados no livreto Os Franciscanos e a Não-Violência (2004) mostram que seus seguidores estão hoje – como estiveram sempre – preocupados com a violência no mundo e com o crescente potencial da humanidade para destruir a vida do planeta. Denunciam o grande paradoxo do homem: as raízes da violência estão dentro de cada um de nós, assim como as soluções para superá-la e construir um mundo mais justo e pacífico.
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Como construtores da paz, arautos da reconciliação plena, os franciscanos apresentam a fórmula que torna possível estabelecer relações justas, baseadas no respeito, na igualdade e na busca da harmonia – acreditar que Deus é um Deus da não-violência criativa, abundante e plena (!) que anseia de nós que todos tomemos lugar no grande banquete, regozijando as diferenças, sem recorrer à violência. Este mesmo Deus deseja que seja respeitada a integridade da pessoa, das culturas e do cosmos.
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São Francisco e Santa Clara de Assis cumprimentavam as pessoas de sua época com a expressão Pace e Bene, ou Paz e Bem! Com este voto exprimiam: que gozes de boa saúde, que estejas tranquilo e feliz, que não sofras necessidades, que seja respeitada tua dignidade, que tua bondade interior floresça, que o mundo em que vivemos conheça esta profunda paz!
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Sem mais palavras, no meio do turbilhão da vida, lhes desejo, mais uma vez e sempre Paz e Bem!

Coluna 87 - publicada no jornal Correio Agudense - Edição de 28SET2011

Para o Município não há perdão, as contas tem que fechar!

CONTO UM CONTO – Tendo a companhia do escritor Romar Beling Caminhando (este é o nome de sua coluna) conosco, na página 11 de edições alternadas, tomo coragem de assumir um estilo literário. Sei que se apuros sentir ele me atira a bóia salvadora, resgatando-me de qualquer repuxo na maré de letras, palavras e frases. Prometo que isto não é definitivo, mas não garanto que não se vá repetir vez em quando.
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Havia uma cidade; nela uma escola. Na escola ... alunos – diversas procedências, meninos e meninas, múltiplas realidades. Algumas turmas gostavam muito de futebol, outras faziam hortas – muitos canteiros, onde aplicavam (diziam) as mais modernas técnicas agrícolas. Uma existia, aquela que tinha a sala perto da sala dos professores, onde era preponderante o gosto pelos três Pês – prosa, política e polêmica.  Na escola tudo arrumadinho. Era o orgulho da comunidade. Classes limpinhas, chão lustrado, merenda gostosa (até moranguinho já aparecera no cardápio da gurizada). Na escola uma grande festa anual era o sucesso, que projetava a escola na região toda. Nesta ocasião vinham alunos de outras escolas que, admirados, exclamavam: como é que vocês conseguem fazer uma festa assim?! Os alunos... cada tipo de gente! Um havia metido à tagarela – não era o único, mas diziam ser o mais falante; outro se destacava na turma por sempre ter algo de novo e de inusitado para contar ou para mostrar. Este era o João; aquele o José Maria. Houve um dia e uma aula. Nesta o João, inovando (de novo), bagunçou sua classe e foi embora. Ele nunca havia feito isto (se bem que...), estranharam os colegas. O tagarela, que gostava de ver a classe e a escola arrumadas na média do lugar, achou aquilo chato. Argumentou que esta classe desarrumada não condizia com o conceito que a própria escola fazia de si mesma, e que aquilo era feio. O João devia limpar a porquice que aprontara. Pronto! Quem disse que limpava. Quem disse que concordava. Pouco fez caso e foi se queixar do tagarela para a direção. Juntaram a turma e os dois – o José Maria e o João – em pé, diante do diretor, depois de assinar o livro preto ouviram-no dizer que reclamar de classe desarrumada podia, mas não da do João! Para que nenhum trauma ficasse (o bulling já era conhecido e aventado como causa de qualquer dedo destroncado) o tagarela devia escrever, bem grande, no quadro de vidro da sala (sim, o quadro era uma lâmina de vidro, onde se escrevia com caneta ou se projetava imagens) – Não devo me meter se alguém suja a classe, enfeia a sala e a escola. Isto não é problema meu! Aluno malvado este José Maria, hein?
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Não é segredo, os números foram mostrados em audiência pública, pelo Secretário da Fazenda. O cenário dos oito meses passados de 2011pedem cautela na condução das finanças municipais nos quatro meses que faltam para fechar o exercício. O cenário é bem diferente de 2010. Tanto a União como o Estado estão fazendo caixa à custa dos Municípios. Simplesmente retiveram verbas que ordinariamente repassavam para estes.
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Ainda em 2010 já houve uma primeira queda da receita, quando o censo do IBGE diagnosticou que a população de Agudo diminuíra. Este dado impactou diretamente no retorno do Fundo de Participação dos Municípios – FPM, uma das grandes fontes de recursos municipais. Agora é a vez do retorno do ICMS retratar uma nova realidade. Nossa safra agrícola de 2010 não foi completa e tampouco foi já toda (e bem) comercializada. Esta combinação de fatores fez o índice de repasse do ICMS diminuir de 0,144642 (2010) para 0,141089 (previsão para 2011).
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O governo municipal, consciente de que qualquer alerta deve ser levado a sério, tem que se virar entre o cravo e o martelo. De um lado a demanda da comunidade por obras e serviços e de outro a realidade financeira e a consciência de que para o ente Município não há perdão, as contas tem que fechar!
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Paz e Bem.


Coluna 86 - publicada no jornal Correio Agudense - Edição de 22SET2011

Discordo que seja útil ou até viável realizar sessões ordinárias fora do plenário

FALTOU REGIMENTO para a Câmara Municipal de São José do Hortêncio, município gaúcho onde dois vereadores se engalfinharam em briga aberta e franca durante sessão da Câmara Municipal, realizada em um pavilhão comunitário, na semana passada. Imagino que todos saibam do fato que refiro, pois a imprensa da capital repercutiu o infausto acontecimento. Os vereadores João Adolar Petry e Valdir Dill, deixaram de lado o argumento da palavra e preferiram o soco e o tapa. Lamentável.
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Não achei graça da cena. Já envergonhado de ter isto acontecido dentro de uma instituição que preso muito – o Poder Legislativo – meu espanto aumentou quando, no outro dia, um dos vereadores recomendou aos vereadores de todas as câmaras que briguem durante as sessões como piá em recreio de escola, como ele fizera, pois assim terminaria a corrupção. Não sei o que uma coisa possa ter a ver com a outra, mas...
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Duas situações me assaltam a observação. A primeira: o regimento daquela edilidade é frágil ou ignorado por uma mesa diretora conivente e fraca na condução das atividades legislativas. Se o Regimento Interno fosse observado seria improvável que houvesse a discussão verbal e, muito menos, a agressão. Com bom disciplinamento regimental cada vereador tem momento para falar e somente será aparteado se concordar. A Mesa Diretora deve manter o controle da ação colegiada e os vereadores o respeito pela instituição e pelo mandato. A segunda observação que faço diz ao fato de a sessão ser ordinária e estar sendo realizada fora da sede da câmara, onde com certeza não havia a estrutura necessária para o funcionamento normal de uma sessão ordinária e onde os vereadores mais se preocuparam verear para a torcida e realizar um bom espetáculo legislativo para a comunidade que os acolhia do que atentar para a responsabilidade e seriedade no trato dos assuntos em tramitação.
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O degradante episódio serve para escancarar uma triste realidade de São José do Hortêncio e que pode ser vista, com semelhantes nuanças, em muitos municípios brasileiros. A pobre estrutura do Poder Legislativo. Em maio do ano passado o Prefeito de lá se ufanou ao afirmar que a Câmara Municipal funciona dentro do Posto de Saúde do município, que fica aberto 12 horas por dia. Sim, você leu bem, foi o Prefeito não o Presidente da Câmara quem disse isto.  Como? A Câmara funciona no Posto de Saúde? E elogiou a Câmara dizendo que esta funciona com um só funcionário (provavelmente cedido pela Prefeitura).
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Dá para começar a entender a derrocada da instituição Câmara hortenciana. Lá e em ainda muitos municípios brasileiros há ainda um longo caminho a percorrer para que o Poder Legislativo seja, de fato, um poder autônomo e ciente de suas prerrogativas e responsabilidades; e igual é a distância a trilhar para que estas câmaras se respeitem e façam por merecer apreço e acatamento do povo.
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Aliás, a prática de realizar sessões ordinárias fora da sede do parlamento – a chamada interiorização da câmara – é prática usual em muitos municípios (no centro do RS na Quarta Colônia tem municípios que fazem rodízio permanente). É patético estampado no jornal como se grande coisa fosse a foto de nove pessoas assentadas, lado a lado, de frente para outras vinte e ler na legenda tratar-se da Câmara Municipal que realizou sessão ordinária na Linha Chove quando a Patrola passa. Pior ainda quando o Prefeito está sentado no meio e a notícia destacar que na sessão da Câmara o Prefeito disse isto e prometeu mais aquilo.
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Sou servidor da Câmara Municipal de Agudo desde 1987. Esta condição não me tira a isenção para opinar sobre a qualidade das sessões plenárias. Crivo por convicção e razões de ordem institucional e operacional - discordo que seja útil ou até viável realizar sessões ordinárias fora do plenário. As Sessões Solenes e Especiais, dada sua peculiaridade, podem ocorrer onde melhor aprouver. O Regimento Interno – se for, de fato, uma peça regradora – já contempla tal possibilidade, permitindo à câmara atender a dinâmica da vida comunitária, com atos solenes com fins comemorativos ou honoríficos. Mas trabalho concentrado e ordinário deve ter lugar e hora próprios.
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Paz e Bem.

Coluna 85 - publicada no jornal Correio Agudense - Edição de 14SET2011

Eu sou gaúcho e me chega, prá ser feliz no universo!!

A DATA MAGNA DO GAÚCHO – O legislador brasileiro concedeu a cada Estado da federação esculpir em lei uma data que sintetizasse sua história. O Rio Grande do Sul, onde nasceu a idéia deste ato institucional, fez sua data magna o 20 de setembro, designando-o como Dia do Gaúcho. A data tem significado pela deflagração da Guerra dos Farrapos, em 1835.
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É fértil de motivos o Dia do Gaúcho. Para a ele se referir existem muitas vertentes que jorram sentimentos e brios. É tão rica a tradição desta terra que não se pode festejá-la em um dia; é necessária uma semana e com grife própria – a Semana Farroupilha.
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 Atenho-me a fonte cultural e dela represo o córrego da poesia. Represo-o para que, no remanso que forma, apartar uma composição rimada das tantas e tão belas que proclamam as virtudes, a beleza, a fé e o jeito de ser e viver do gaúcho – a poesia Eis o Homem, de Marco Aurélio Campos. Obra prima que reina absoluta no repositório literário poético gauchesco.
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Eis o Homem é um poema extenso. No entanto, pode ser fragmentado sem perder a essência. Com licença do autor, me valho de sua inspiração para homenagear todos os que fazem da Semana Farroupilha um período para se abastecer lúdica, cultural e espiritualmente (sei, sei, também de muito churrasco, chimarrão, música e boa prosa).
Brotei do ventre da Pampa, que é Pátria na minha Terra. / Sou resumo de uma guerra, que ainda tem importância. / Diante de tal circunstância, segui os clarins farroupilhas e, / devorando coxilhas, me transformei em distância. / (...) Sou o ruído que o couro faz ao roçar no capim. / Sou tim-rrim-tim-tim da espora em aço templado./ Trago o silêncio guardado, do pago dentro de mim. / Fazendo vez de oratório, sou cacimba destampada, de boca aberta, calada, como à espera do ofertório; / como vigília em velório, nesse jeito que é tão seu: / tem muito de terra... É céu que a gente sente ajoelhando e, / de mãos postas, levantando / o pago inteiro para Deus. (...)
Sou o Sepé Tiarajú, o Uruguai, rio-mar azul. / Sou o Cruzeiro do Sul, luz e guia do índio cru. / Sou galpão, charla, e chirú de magalhanicas viagens. / Andejei por mil paisagens, sem jamais sofrer sogaço. Cresci juntando pedaços de brasileiras coragens. / Sou, enfim, o sabiá que canta, alegre embora sozinho. / Sou gemido de moinho num tom tristonho que encanta. / Sou o pó que se levanta, / Sou terra, sangue, sou verso. / Sou maior que a história grega. / Eu sou Gaúcho, e me chega / prá ser feliz no universo.
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Semana Farroupilha remete, também, a conquistas. Agudo, por sua Câmara Municipal, botou os pingos nos is com relação ao atendimento do Cartório Eleitoral. O programa Justiça Eleitoral Presente, que o TRE fez ser criado em Agudo e Paraíso do Sul para compensar a perda da sede do Cartório Eleitoral para a Comarca de Faxinal do Soturno, previa que esta presença seria semanal, online e o dia inteiro. No entanto nos últimos meses Agudo estava com atendimento de 6 horas mês, em semanas alternadas e somente à tarde. A Câmara protestou e a juíza eleitoral demandou que o cartório atendesse ao pedido. Com tal decisão a partir desta semana o atendimento eleitoral em Agudo acontecerá todas as quartas-feiras – manhã e tarde.
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A população de Agudo merece ser respeitada e isto implica em que tenha à sua disposição serviços públicos diligentes, não importando se forem municipais, estaduais ou federais; se o prestador é o Poder Executivo, Legislativo, Judiciário ou o Ministério Público. O que interessa é que seja eficiente, eficaz e tenha continuidade, de modo a se estabelecer como rotina na conturbada e apressada forma de viver.
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Nem todas as homenagens feitas á pessoas vivas alcançaram tanto prestigio quanto o ato de votação do Projeto de Lei que denomina Rua Eduardo Gehrke, uma rua da cidade de Agudo, na sessão da Câmara da última segunda-feira. Homenagem post mortem a um líder de Agudo do tempo de Vila de Cachoeira do Sul, a sessão foi prestigiada por, dentre outros, Norberto Gehrke, um dos cinco netos remanescentes do imigrante Gehrke. Norberto veio de Porto Alegre especialmente para estar na Câmara. Mostrando que os 85 anos lhe deram muita bagagem, lustrou o ato legislativo com surpreendente exposição na Tribuna Livre. Muito, aliás, de tudo, valeu o entusiasmo da bisneta Elia Luther Unfer. A Elia põe o coração em tudo o que faz. Neste ato, lembrando de sua mãe, viveu a emoção da aprovação unânime da proposta que havia sugerido ao Ver. Geis.  
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Paz e Bem.