sábado, 14 de janeiro de 2012

Coluna 83 - publicada no jornal Correio Agudense - Edição de 31AGO2011

A propósito: quem disse que queremos que o Brasil seja como a Alemanha, ou que vivamos como os Deutsche?



IGUALDADE é levar em conta as desigualdades dos desiguais. Só assim estaremos sendo justos. Tantas são as situações em que a sociedade é tentada a estabelecer comparações e em igual dimensão ocorre o equívoco em tais cotações. Olhar com foco azul o que é vermelho decididamente distorcerá a cena. Desejar que alguém com renda apenas para a satisfação das necessidades da base da Pirâmide de Maslow atente para as necessidades sociais ou de auto-estima, ainda que isto seja desejável, é uma utopia.
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Esta é também uma observação útil para o debate que se está travando em torno do número de vereadores de um município. É legítimo que os cidadãos opinem sobre se a Câmara de sua terra tem vereadores de mais ou de menos. No entanto, devem fazê-lo tendo em vista a realidade de sua terra, sem comparações com os vizinhos. Agudenses, franciscanos, paraisenses e restinguenses têm, decerto, percepções diferentes com relação à colenda casa de suas comunas. Agudo tem 9 vereadores, 16.716 habitantes e 13.001 eleitores. Dona Francisca tem 9 vereadores 3.396 habitantes e 3.063 eleitores. Paraíso do Sul tem 7.330 habitantes, 6.062 eleitores e também 9 vereadores. Já Restinga Sêca tem 15.834 habitantes, 13.369 eleitores e, igualmente, 9 vereadores. Comparar a si com quem lhe é parelho será justo. O demais é demagogia e irreal.
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Atrevo-me a imaginar que na semana passada Agudo e Paraíso do Sul foram dissecados e comparados em todas as dimensões. No convívio estabelecido com o intercâmbio entre a Alemanha e esta região, mais de trinta visitantes alemães viveram como hóspedes (Gäste) de hospedeiros (Gastgeber) agudenses e de paraisenses. Pretendendo agradar e demonstrar o que de bom, de bonito e que funciona deviam ver, os visitantes foram levados a conhecer lugares e estruturas locais. Evidentemente que Brasil e Alemanha são diferentes. Evidente que os espaços públicos e privados no Brasil tem a estrutura que o amadurecimento e a evolução dos povos permite, e que são muito diferentes aos da Alemanha. Temos recém 500 anos de crescimento econômico, enquanto que o centro da Europa, onde se situa aquela nação, mede sua fundação já em milênios. Será vã e desprovido de lógica pretender que aqui as coisas sejam como lá. Ademais, os alemães sabem disso e respeitam isso. Eles têm clareza de que o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer e que,virtualmente, aqui as coisas serão diferentes, pois somos diferentes. Se nos compararmos par e passo restarão duas conseqüências - ou ficaremos deprimidos ou presunçosos. A propósito: quem disse que queremos que o Brasil seja como a Alemanha, ou que vivamos como os deutsche?
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Lido com esta situação já há mais de trinta anos, pois desde 1978 minha irmã, Silvia, vive na terra de Goethe. Por conta desta situação já nos ocorreu de acolher alemães por temporadas. Sem estresse. Eles devem olhar o Brasil com nossa realidade. E, se forem inteligentes, também o fazem.
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Devemos evoluir? Evidentemente que sim. Mas não nos diminuamos por sermos como somos. E se melhor não nos podemos apresentar, a culpa será também nossa e de mais ninguém.
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Prejuízo para o Rio Grande do Sul representa a transferência da sede administrativa da John Deere de Horizontina para Indaiatuba, São Paulo. Apontando razões de logística – Indaiatuba fica perto do aeroporto de Viracopos, em Campinas – a multinacional que produz colheitadeiras, plantadeiras e tratores para toda a América Latina, começa a pensar seus negócios a partir da região Sudeste. É a sina do garrão do país – ser um estado periférico.
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Paz e Bem.

Coluna 82 - publicada no jornal Correio Agudense - Edição de 24AGO2011

Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História (Getúlio Vargas)

UM AGOSTO QUE CONFIRMOU A SINA – Conta meu pai de estar, naquele dia, a cortar cana na roça quando ouviu aviões singrar o céu de maneira incomum. O colégio da comunidade – hoje Escola D. Érico Ferrari – encerrou as aulas mais cedo. Era agosto, de 1954 – dia 24. A causa? Soube-a em seguida: o Presidente da República, Getúlio Vargas, se suicidara, no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro. Comoção nacional. Assim, em meio aos afazeres do dia, a população brasileira foi surpreendida com a notícia, transmitida, com exclusividade, pelo Repórter Esso, nas Rádios Nacional e O Globo. Todos acreditaram – se deu no Repórter Esso é verdade!
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Getúlio Vargas não cedeu à pressão do capital e do interesse de grupos estrangeiros (a quem chamava de aves de rapina) que desejavam assegurar privilégios e novamente colonizar a nação brasileira. Na noite de 23 de agosto uma reunião do gabinete presidencial, que avançara na madrugada, concluíra pela oportunidade e necessidade de Getúlio Vargas licenciar-se do cargo ou renunciar. Suas convicções levaram-no a decidir-se por nenhuma destas alternativas. O governo nacionalista que implantara pretendia um Brasil para os brasileiros. Terminada a reunião, solitário no gabinete, manuscreveu a Carta Testamento. Pela manhã pretendeu ficar ainda um pouco mais em seu aposento. Às 08h15min o som de um tiro ecoou. Ao atingir o coração do Presidente, feriu de gravidade toda a nação.
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Passados cinqüenta e sete anos, os que testemunharam este fato histórico já com discernimento tem, hoje, mais de setenta anos. Convém ouvi-los. A tradição oral é das melhores fontes para aprender o quanto e como um fato influi na vida das pessoas, das instituições e – no caso de envolver um chefe da nação – do país.
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Transcrevo um trecho da Carta Testamento como está gravada, em bronze, na Praça Getúlio Vargas, no Mausoléu Getúlio Vargas, em São Borja, e em ainda muitos lugares púbicos e museus deste país. Entendo ser de relevância, para registro. "Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo, que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar, a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida. Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão. E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História.”
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Quando o inverno se prolonga, para que as citações ao frio não se tornem repetitivas, novas acepções vão sendo garimpadas no dicionário. Na segunda-feira a descrição da temperatura do final de semana ganhou novo adjetivo. Foi um frio de enrelegar os gaúchos, constou nos jornais da capital. Imagino a palavra sendo soletrada com o queixo tremendo en-re-le-gar. É... tá frio!
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A propósito do rigor das temperaturas baixas, consta que até outubro a presença do ar polar intimidará o aquecimento dos raios solares.

Paz e Bem.

Coluna 81 - publicada no jornal Correio Agudense - Edição de 17AGO2011

A casa da família deveria ser um porto seguro, onde as pessoas teriam um lugar para sempre ficar um pouco

FAMÍLIA – Por mais que se escreva, desenhe, converse, reflita ou cante, abordar o tema família sempre será parcial, sempre restará algo mais a acrescentar. Portanto, mais uma vez escreverei uma coluna incompleta, pois abordarei este tema, que não se esgota.
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Domingo foi o Dia dos Pais. Na Igreja Católica que, por intermédio da CNBB, elegeu o mês de agosto como o Mês Vocacional, este domingo serviu para rezar, abençoar e pensar esta estrutura social primeira e inspiradora, lançando a Semana Nacional da Família, que dura até o próximo sábado.
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O material que guiará os encontros aborda o tema sob três dimensões: I – Família, lugar sagrado de comunhão; II – Pessoa, um ser sagrado e III – Sociedade feliz, com família feliz.
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No primeiro prisma uma pergunta é lançada: é importante ter um lugar sagrado para ficar? Respondemos sim, pois a mente logo trata de identificar em nosso conjunto de emoções um sentimento de prazer em alguma coisa ou lugar que faça com que nos sintamos bem. Este lugar deveria ser a casa da família, onde se reúnem aqueles que decidiram conviver por entrega mútua, compondo, com as gerações que lhes sucedem e, por vezes incluindo ainda as que lhes antecederam, um nicho casa onde coexistem pais e filhos e avós e gatos e cachorros e papagaios e peixes e ...  A casa da família deveria ser um porto seguro, onde as pessoas teriam um lugar interior e exterior para sempre retornar, para sempre ficar um pouco, recarregando o ser de afeto, de carinho e acolhimento.
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Quem faz a casa? A família. Onde quer que se esteja, é a casa, por causa da família, o lugar insubstituível. É na casa da família que são aprendidas as mais definitivas lições; onde a cumplicidade faz naturais e despidas de julgamento as primeiras emoções; onde ombros e colos acolhem sem contrapartida. É na família que os sins e os nãos adquirem significado formador. Quem puder dizer do efeito dos conselhos, das permissões e das limitações aprendidas e negociadas em família, dirá ter sido a maior escola.
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Na família se forma a pessoa – um ser sagrado, que faz parte do universo de Deus e deve contribuir para a construção deste universo, graças a sua capacidade de amar e a vontade e inteligência de se relacionar. A vivência e as razões dos sins e dos nãos dão estrutura emocional à criança, que terá estabilidade para ser um jovem e um adulto sagrados, capazes de repetir o aprendido no ciclo de sucessão da vida.
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A sociedade em que somos inclusos, que é o somatório de seres formados em estruturas que são ou deveriam ser células familiares, tem a qualidade de vida e convivências estreitamente identificadas pela formação de quem a integra. Uma sociedade feliz deriva de pessoas felizes, que derivam de famílias felizes.
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É utópico desejar que pessoas, famílias e sociedade vivam e inspirem felicidade e sacralidade? Parece ser. Muitos acontecimentos depõem em contrário, parecendo desmentir a capacidade de que haja ainda ninhos criatórios de felicidade.
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Em quase todo o texto conjuguei o verbo no futuro do pretérito. Não me atrevi afirmar, por saber que o conjunto humano sofre influências nem sempre são boas e positivas, e que são capazes de submeter pessoas e comunidades. Todavia, alimento que devemos nos esforçar para que as perdas sejam mínimas, e que ninguém descreia do valor da família.
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Que nesta convicção nos ajude e inspire trecho da Oração pela Família, de João Paulo II: “(...) Faze com que o amor reafirmado pela graça do sacramento do matrimônio, se revele mais forte que qualquer debilidade e qualquer crise, pelas quais, às vezes, passam nossas famílias. Amém!”
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Paz e Bem.

Coluna 80 - publicada no jornal Correio Agudense - Edição de 10AGO2011

Avante brasileiros de pé / Unidos pela liberdade / Marchemos todos juntos com a bandeira / Que prega a lealdade


CAMPANHA DA LEGALIDADE – Cinquenta anos se passaram desde quando Leonel Brizola comandou, dos porões do Palácio Piratini, o movimento de resistência às articulações do Exército e de grupos de interesse do planalto central, de negar a João Goulart, Vice-Presidente da República, substituto legal e constitucional, o direito de assumir o cargo de Presidente da República, após ter sido declarada vaga a chefia da nação, pela renúncia do Presidente, Jânio Quadros.
Temendo a implantação do comunismo no país, o Ministro da Guerra, Marechal Denys, não aceitava que Goulart assumisse o cargo, posto que era opositor do Presidente que havia renunciado e sobre ele pesavam, também, suas relações com Cuba e a União Soviética. Jânio fora eleito pelo PTN e PDC, com apoio da UDN; João Goulart pertencia ao PTB, partido pelo qual já havia sido eleito Vice-Presidente de Jucelino Kubitschek, com mais votos do que o próprio JK. Naquela época o processo eleitoral era diferente – o Vice-Presidente era, também, votado.
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Leonel de Moura Brizola, Governador do Estado do Rio Grande se aquartelou no fortificado Palácio Piratini, a partir d’onde comandou a Cadeia da Legalidade, uma ação sem precedentes, denunciando as manobras de quem pretendia quebrar a ordem constitucional, que previa a ordem natural da linha sucessória – o Vice assumiria em caso de impedimento do titular ou vacância do cargo.
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Este acontecimento da história contemporânea de nosso país – e no qual o Rio Grande teve decisiva importância – ocorreu entre 25 de agosto e 7 de setembro de 1961. Completa, portanto, 50 anos neste mês.
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As datas jubilares servem para lançar nova luz sobre personagens e acontecimentos. Documentários, reportagens, livros e filmes são produzidos para que os brasileiros de hoje conheçam um melhor e com isenção e fidelidade, o que sucedeu nesta terra de Santa Cruz, Brasilis. A Campanha da Legalidade terá esta mesma projeção. Ainda bem, pois até bem pouco este fato era relatado apenas de tradição verbal e os registros documentais, se não eram restritos, ficavam ao alcance apenas de estudiosos. Em meu tempo de ensino fundamental e médio não ouvi, nem li e também não falei nenhuma palavra, nenhuma sílaba, onde este episódio – que nos deve orgulhar a todos – fosse citado.
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 O PDT está imbuído da tarefa de levar a Legalidade como fato histórico para as pequenas comunidades. Seu líder midiático e protagonista daquele feito, é o inspirador da cruzada patriótica que trabalhistas fazem pelos pagos e campinas deste Rio Grande de Deus.
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Também, o Governo do Estado, de modo a honrar a história gaúcha, desenvolve seminários, atos oficiais e homenagens para lustrar este cinquentenário. O programa iniciou em São Borja, terra onde repousam os restos mortais dos dois personagens centrais da Legalidade – João Belchior Marques Goulart e Leonel de Moura Brizola, juntamente com o Presidente dos Presidentes - Getúlio Dornelles Vargas. Lá também está o Memorial de João Goulart, na casa onde morou e para onde retornava quando possível. São Borja é, também, a terra natal do Governador Tarso Genro.
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Nas comemorações ouve-se, por certo, o Hino da Legalidade, como o compuseram Lara de Lemos, Demóstenes Gonsalez, Paulo César Pereio: “Avante brasileiros de pé / Unidos pela liberdade / Marchemos todos juntos com a bandeira / Que prega a lealdade / Protesta contra o tirano / Se recusa à traição / Que um povo só é bem grande / Se for livre sua Nação.”
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Paz e Bem.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Coluna 79 - publicada no jornal Correio Agudense - edição de 3AGO2011

Nenhum dos dois clubes seria capaz de implementar sozinho seus projetos. Contaram com o apoio, o incentivo e a crítica da comunidade

SOZINHO NÃO SOU NINGUÉM; AGRADEÇO A VOCÊ TAMBÉM. VOCÊ QUE ME INCENTIVOU, VOCÊ QUE ME CRITICOU! Este trecho da canção “A meu pai agradeço” escrita por Pelé (sim, Edson Arantes tem os créditos da letra) e interpretada por Moacyr Franco, baliza a abordagem que faço do atual momento dos dois Clubes de Serviço de Agudo – o Lions e o Rotary. Acompanhando as atividades destas estruturas de trabalho desinteressado em favor da comunidade, atuando em uma delas e sentindo o entusiasmo com que nelas se assume o ser/agir/fazer/servir, sinto que este espaço será útil para propagar ainda melhor e mais as já conhecidas ações que rotarianos e leões agudenses assumem, em benefício desta terra e de sua gente.
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Registra a história de Agudo ter o Lions Clube sido fundamental na arregimentação da comunidade para a consecução do atual prédio do Hospital Agudo. É possível imaginar como foi árduo para a sociedade civil assumir um empreendimento desta magnitude, lá na década de 60/70 do século passado, com as limitações e carências da época. Agudo inteiro ajudou, é verdade. No entanto, a capitania das ações e as grandes responsabilidades foram assumidas por membros do Lions Clube – então também ainda clube de juba pequena, pois que fundado em 1967.
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No início dos anos 80, também do século XX,  os anais de Agudo acusam o trabalho do Rotary para Agudo ter a primeira ambulância. Representando a Rádio Agudo, onde trabalhava, participei do lançamento da campanha e, entrevistando os seguidores de Paul Harris daqui, conheci o significado real do entusiasmo por  uma causa nobre. Agudo não mais podia prescindir de uma ambulância. Hoje isto parece risível. Mas trinta anos atrás isso foi uma odisséia. Para Agudo uma realidade, para a região ainda uma miragem. Agudo ajudou, mas foi dos rotarianos o desprendimento e o empenho. A propósito desta campanha, confesso uma magnífica gafe. Nilo Fernandes Pötter, rotariano sem medida, com brilho no olhar apresentava a todos a flamante Caravan branca, zero km, equipada. Repórter metido não me contive em apontar um defeito que encontrara – a palavra ambulância estava grafada invertida, disse. O Nilo, pacientemente (e olhe que paciência não era sua característica mais marcante) estacionou seu carro à frente e pediu que eu lesse a escrita pelo retrovisor. Aprendi ligeiro que primeiro devo estudar para só depois se meter a opinar.
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De volta ao presente, menciono a gestão da Associação Beneficente Amor Perfeito, mantenedora do Abrigo Transitório Amor Perfeito e o projeto Bombeiros Voluntários, onde Lions e Rotary mostram grandiosidade de propósito e visão utilitária. Na administração do Abrigo Amor Perfeito membros do Lions Clube se doam e partilham com rotarianos as tarefas de tornar viável à que uma estrutura com aparente frieza estrutural, se assemelhe a um lar para acolher crianças e jovens que carecem, sobretudo, de acalanto e afeto e do comer e vestir, quando suas famílias não lhes podem suprir estas carências básicas. Os Bombeiros Voluntários é iniciativa concebida e implementada no Rotary – onde em anos passados, também nasceu a campanha para o primeiro carro de combate a incêndio de Agudo. Este grupo oferece um mínimo de tranquilidade à população que vivia a angústia de se saber inerte ante um sinistro, onde a ação planejada, pronta e eficiente pode salvar vidas e patrimônio.
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Postos estes argumentos, entendo já estar compreendido o porquê daquele trecho de música no início da coluna. Nenhum dos dois clubes seria capaz de implementar sozinho seus projetos. Em todas as iniciativas contaram com o apoio, o incentivo e a crítica da comunidade. Você, que me estimula com sua leitura, se foi abordado ajudou, tenho certeza. Agudo apoiou, o Poder Público foi e é parceiro de primeira grandeza; a população incentivou, chamou à reflexão e, convicta do mérito, ombreou tarefas e granjeou recursos.
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Em Agudo isto é possível, graças a Deus e ao povo deste Torrão.
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Paz e Bem.

Coluna 78 - publicada no jornal Correio Agudense - edição de 27JUL2011

Agudo haverá de ter um bom cidadão, sem mérito de gênero, para governá-lo. .. e ele já está em Agudo.

POLÍTICOS – Na coluna da semana passada citei cinco políticos – assim considerados, pelo menos, por serem filiados a um partido – que podem concorrer para prefeito em 2012. Avanço na listagem. VILSON DIAS – vereador que, ao final desta legislatura, será o parlamentar com mais mandatos e tempo de vereança. Adquiriu embocadura sobre gestão pública pelo convívio com o meio. Zeloso de sua carreira política e profissional, cuida de manter intacta a imagem perante o eleitor, na sempre bem fertilizada lavoura de votos – o rádio. Em eleições passadas já foi lembrado para o pleito majoritário. Preferiu assegurar-se na câmara, onde sabe ter desenvoltura de sobra. Em mais de um momento nos últimos anos comentou-se que poderia trocar seu PP pelo PMDB. A prova de que a ficha no PMDB pode até já estar preenchida está no fato de ter o Vereador Luxinho – assim é conhecido, embora não seja seu nome parlamentar – estar nomeado Líder de Governo do governo PMDB/PDT, superando, na preferência do Prefeito Ari AA ,os cinco vereadores da bancada governista. Embora tenha declinado da indicação, o prefeito não a retirou. Há quem diga que tudo não passa de jogo para manter o nome na mídia, pois que no PP estaria acertado que ele será vice seu colega de bancada em uma chapa puro sangue progressista. A janela da troca de partido para a eleição de 2012 fecha em outubro próximo. Portanto, aguardemos o passar dos dias e noites. IVO DARCILO JANN, militar da reserva e empresário da construção civil, já teve momentos de maior entusiasmo quando o assunto era eleição. Nas últimas duas corridas às urnas foi cogitado por mais de um partido. Não tenho certeza de que esteja filiado a um partido. Já foi do PDT. Seu temperamento forte impactaria na campanha, sem dúvida. Como gestor adota princípios da caserna. Deixou isto claro em recente discurso de lançamento de um empreendimento. Interlocutores próximos dizem que o Jann da Construtora não pensa mais em carreira pública, preferindo a atividade empresarial. LAURO REINOLDO REETZ, ex-vereador e ex-prefeito – o primeiro a reeleger-se (antes a lei vetava a possibilidade). Foi o que ganhou eleição com a maior e, também, com a menor diferença de votos. Da lavoura para a Câmara e, somando títulos de padrinho de entidade, patrocínios, fala fácil e identificada com o povo rural, fez-se chefe do Poder Executivo em 1996 e em 2000. Saiu do Centro Administrativo, atravessou a Theodoro Woldt (a talvez mais estreita rua da cidade) e se alojou no Sindicato Rural, que preside em sucessão de mandatos. É o literal dono de seu partido, o DEM, embora na última convenção o tivessem apeado do cargo de Presidente, o que ainda não se confirma. Foi candidato derrotado na última eleição, usando, como lastro, seus oito anos de mandato onde, segundo sua versão, tudo aconteceu – foi o Gênese de Agudo. Tem legitimidade para concorrer e, quem sabe, sonhe em novamente atravessar a ruela ao lado do Centro Administrativo. Pessoas próximas dizem que está recebendo propostas para concorrer à câmara, onde teria cadeira e tribuna asseguradas. DORI LAURA MÜLLER PAUL. Ela estaria articulando formar diretório de um novo partido, onde reuniria descontentes e evadidos de outros, e não atuantes, para se viabilizar politicamente aproveitando o patrimônio político acumulado nos muitos anos de militância. Foi a única mulher a concorrer a Prefeito em Agudo, lá em 1976, pelo MDB, quando três perderam para um. Concorrendo em sub-legenda, Dori Paul, Hasso Harras Bräunig e Armando Goltz foram derrotados por Pedro Schorn. A política partidária está em seu DNA. Arrumou boas polêmicas com os prefeitos, a favor e contrários, pois, como servidora pública sempre foi próxima do gabinete. Diz ainda ter juventude suficiente e já ter a maturidade necessária para discursar em causa própria, para aplauso e voto de um fiel eleitorado de então e de hoje.
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Ao longo dos últimos vinte anos mais nomes foram cogitados, alguns com mais viabilidade e motivação, outros com menores chances o que sequer admitam conjecturar. Reacendo a memória citando-os, por ordem alfabética, para não ferir suscetibilidades: Ademir Kesseler, Ari Carlinhos Jaeger, Hasso Harras Bräunig, Hilberto Heinz Schiefelbein, Moisés Killian (Vereador Foguinho)... Tem mais? É possível. Aliás, é provável. Pode não ser nenhum dos citados; pode ser mais de um a concorrer.
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A política é a atividade humana através da qual os cidadãos pretendem governar a ação do Estado em benefício da sociedade. O processo de tomada de posições para o alcance desses objetivos é orientado ideologicamente – daí o concurso via partido polítco. Agudo haverá de ter um bom cidadão, sem mérito de gênero, para governá-lo... e ele já está em Agudo.
  
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Paz e Bem.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Coluna 77 - Publicada no jornal Correio Agudense - Edição de 20JUL2011

Centrando a atenção nos seis partidos existentes, deduzo que apenas cinco estarão nas urnas no próximo ano.


POLÍTICA – Está decidido, vou escrever mais de setecentas palavras sobre a política agudense. Far-lo-ei (mesóclise chique, mais parece vocabulário do ex-presidente Jânio Quadros) pois do mesmo o assunto gravitará na ExpoVolks, alimentado por quem quer ver armado o picadeiro do circo eleitoral.
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Agudo tem seis partidos com registro hábil no TRE. Pela ordem de número de filiados o maior é o PP, com 346 fichados, entre ativos, cancelados, inativos, etc. Segue o PMDB com 339, o PDT, com 205 almas, o DEM, que tem 153, o PSDB, cujo ninho abriga 100 tucanos e, na lanterna o PTB com 70 trabalhistas de Vargas (ou órfãos do Zambiazi). Ainda consta haver o PR com sete filiados, mas somente quatro ativos, o que torna o inconsistente; o PRP, o PRB e o PHS, que tem um filiado cada.
Chama a atenção não constar o registro do PT. Em cada eleição penso que o partido de Lula e Dilma inaugure sua bancada na câmara do Torrão Amigo. No entanto, a informação do TRE me leva a concluir que ainda não será em 2012.
Centrando a atenção nos seis partidos existentes, deduzo que apenas cinco – aqueles que hoje têm bancada na câmara – estarão nas urnas no próximo ano. E estes se mostrarão com os nomes que conseguirem incluir na listagem que estiver homologada até o dia 7 de outubro próximo – um ano antes do pleito.
Nos bastidores os dirigentes devem estar aproveitando as frias noites de inverno para as articulações e maquinações, longe de olhares curiosos e censuras. Estas negociações, que fazem parte do jogo, podem resultar em acordos e coligações; podem também não passar de blefe. O que vem a público é filtrado e meticulosamente estudado. Cada declaração é uma flecha com alvo certo.
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Quem deverá concorrer ao paço municipal? Correndo o risco de fazer um grande fiasco e ser completamente desmentido pelos fatos que sobrevirão, arrisco palpitar. As pessoas que vou mencionar não pediram e não proibiram a citação de seus nomes. Não foram sequer consultadas. Cito-as por observar que reagem com simpatia às insinuações que correm na opinião pública. Parece que seus egos cintilam com a ideia. Primeiro as damas, certo?! Naedy Wrasse, do PSDB, já lembrada em pleitos passados, ex-vice-Prefeita e ex-vereadora, admite ser candidata. Não esconde nem desconversa que sua foto poderá estar na urna eletrônica. Teria declarado a amigos que é chegada sua vez e que está motivada para o concurso. Ari Alves da Anunciação está fora do páreo, pois cumpre o segundo mandato consecutivo. Depois de cinco vezes eleger-se Prefeito de Agudo, seus quase conterrâneos de Paraíso do Sul (ele tem terras em Capão Grande, naquele município) manifestam, por importantes lideres paraisenses, que ele poderia transferir o domicílio eleitoral e disputar a próxima eleição pelo PMDB de lá. Muito improvável. Não passa de um devaneio sem consequência. Rui Milbradt, vereador do PP em primeiro mandato e candidato derrotado ao executivo em 2004, conta com o apoio do partido (será mesmo?) e de segmentos indecisos e/ou descontentes para chegar ao tabuão amarelo (cor do piso do gabinete). Ouviu-se dele que está reciclando alguns conceitos e projetos de vida. Pode-se deduzir que esteja priorizando o plano político. Mário Edgar Lüdtke, do PDT. Estando satisfeitas algumas condições que o impediam de pensar no assunto – formou seus três filhos em medicina e aposentou-se formalmente no início deste ano – há quem diga que finalmente os agudenses poderão confirmar o que vem sendo cogitado – o Doutor Mário será candidato. Paulo Unfer, também do PDT e também já candidato ao cargo, em 2004. Sequer admite falar do assunto. Mas como em política o primeiro indicativo de sim é um sonoro não, fica no ar. Na coligação que governa Agudo desde 2005 seria dele a vaga, se esta união perdurar. O PMDB pode apostar fichas no vereador Valério Trebien. Entendo que fazê-lo Secretário da Saúde foi uma manobra mais política do que técnica, para dar-lhe visibilidade. Se for estará preenchendo a vaga que estava reservada ao Vice-Prefeito Hilberto Boeck, que Agudo pranteou em janeiro de 2010, vitimado pela grande enchente.
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Terminou o espaço, mas não terminou o assunto. Mais nomes virão em próximas edições. Hoje, já tendo escrito mais de setecentos e trinta palavras, valho-me de mais algumas poucas para desejar a todos muita alegria nos dias da 18.ª edição de Ein Volksfest in Agudo!
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Paz e Bem.