domingo, 17 de abril de 2011

Coluna 63 - publicada no jornal Correio Agudense - Edição de 13ABR2011

Agudo, com pouco mais de 16 mil almas pode ter sua edilidade com nove, dez ou onze membros


VEREADORES – serão nove ou onze? A próxima Câmara de Agudo a ser eleita em 7 de outubro do ano que vem terá nove vereadores como doze das treze legislaturas do parlamento agudense ou serão diplomados onze titulares de mandato? Esta definição deverá passar pela Ordem do Dia dos atuais edis. Comentei a respeito na coluna da semana passada e volto ao tema no intuito de partilhar com os cidadãos agudenses informações que, embora de domínio público, estão restritos aos escaninhos da lei.
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A primeira Câmara agudense, eleita em maio de 1959 e que vereou de 6 de junho até 31 de dezembro daquele ano teve sete vereadores. As outras doze legislaturas tiveram nove.
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Na Lei Orgânica Municipal promulgada em 2 de abril de 1990, os parlamentares municipais constituintes decidiram atrelar à Constituição Federal o número de vereadores da Câmara agudense. Em 2008, este ditado mudou. Na reforma da Lei Orgânica Municipal os legisladores definiram que Agudo assentará nove cidadãos no Plenário Vox Populi, dirimindo dúvidas surgidas da indefinição da Constituição Federal, que não fixou os limites à que se referia a Carta Magna municipal. Partiram, também, do pressuposto de ser o município autônomo para definir as regras de sua organização político-administrativa, à luz do art. 18 da Constituição.
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Reinava paz. O mar era de enseada e o céu de brigadeiro. Não havia dúvida – são nove as vagas na eleição proporcional municipal.
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Mas eis que Pompeu de Mattos, o Deputado de bombachas, do PDT gaúcho, resolveu mexer no caldeirão e, depois de longa tramitação, conseguiu ver promulgada a Emenda Constitucional 58/2009, de sua autoria, que trouxe um efetivo escalonamento para as Câmaras dos municípios brasileiros. A partir desta Emenda a CF passou a prever que os municípios com população entre 15 e 30 mil habitantes podem ter no máximo onze vereadores.
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Agudo, com pouco mais de 16 mil almas está enquadrado. Pode ter sua edilidade com nove, dez ou onze membros. Tem autonomia para fixar.
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E quem deverá fazê-lo serão os atuais legisladores. Se a Câmara Municipal silenciar permanecerá vigente o art. 38 da Lei Orgânica e serão nove os vereadores. Se houver mobilização para mudar a Lei Orgânica, este número poderá ser alterado para dez ou onze. Tudo vai depender daqueles que o povo elegeu em 2008 como seus representantes.
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O Presidente da Câmara, Ver. Itamar Puntel, parlamentar de primeiro mandato, segredense nato e agudense por adoção e afinidade, coordena a Mesa Diretora que deverá encetar este diálogo, com certeza ainda neste ano. Para tanto ouvirá quem? A questão está no ar. Eu me arrisco palpitar: haverá forte pressão da opinião pública e dos partidos. A população entende ser nove vereadores suficientes para a realidade do legislativo municipal brasileiro, esvaziado de prerrogativas. Já os partidos desejarão que sejam onze, alegando que se a Constituição Federal permite, então que se faça. A Câmara estará, qual marisco, entre o mar e o rochedo. Se ceder ao que deseja o cidadão, nada muda; se deixar-se seduzir pelos partidos, tudo muda. É bom que nós cidadãos estejamos atentos e, com nossa opinião e nosso argumento ajudemos os representantes de todos a definir com sabedoria.
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Será que estou de todo errado?
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Paz e Bem.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Coluna 62 - publicada no jornal Correio Agudense - Edição de 5ABR2011


O ungido nas urnas, que no Ano Novo de 2013 atravessará o Largo Aldo Berger rumo ao Paço Municipal de Agudo já está entre nós
 


ELE ESTÁ EM AGUDO! O que?! Ele já está aí? Mas quem é? Vejam bem, afirmo que ele já está em Agudo, que não descerá por uma faixo de luz de dentro de um disco voador, nem chegará à nado da montante ou trazido pela correnteza da jusante do Rio Jacuí. O ungido nas urnas, que no Ano Novo de 2013 atravessará o Largo Aldo Berger rumo ao Paço Municipal de Agudo já está entre nós. Esta afirmação lançada no acalorado debate sobre as coisas, as gentes, os sonhos, as virtudes e as mazelas do Torrão Amigo, em saborosa mesa e melhor ainda companhia de casais amigos, na noite de sábado, causou alvoroço, logo aplacado pela constatação de que o dito era absolutamente óbvio – o Prefeito do próximo governo de Agudo já está aqui. E os Vereadores que assentarão no Plenário Vox Populi também – só não sabemos ainda quanto serão, se nove ou onze.
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Foi necessário dizer isto para acordar o pessoal que estava viajando na imaginação, idealizando um governante com todas as matizes da perfeição. Olha, dependendo da expectativa e da lente de olhar de cada pessoa ele poderá ser sim um prefeito perfeito, e já está entre nós.
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Bem, se ele já está aqui, se ele já fala ou cala sobre as coisas daqui, se ele já trabalha ou não para o crescimento desta terra, se ele é adepto ao monólogo ou ao diálogo, é preciso descobrir quem será. Aberta a bolsa de apostas consistentes argumentos à favor – e contra – os então possíveis cotados foram colocados à mesa, junto com a gelatina com creme, a sobremesa servida para diminuir o pecado da gula. E eram tantos os argumentos e foi tamanha a gula.
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De um momento para outro virtudes e defeitos foram desfiados ao mesmo tempo e atribuídos às mesmas pessoas. Ah, este não pois não desce do muro. Aquele é gordo demais. Aqueloutro... capaz! É magro demais. Quero um médico, nunca tivemos um médico, alguém falou. De novo um médico cotado? Já ouvi esta conversa, disse outro. Falei que já tivemos um médico dentista que fez dois governos e mais outro que foi vice. Sim, sei que faz muito tempo. Acho que Agudo precisa de um que empilhe tijolos! Quero obras! Discursou alguém. Pedindo a palavra o da ponta da mesa sentenciou – vai ganhar a dobradinha do empreendimento com a fala. Silêncio... depois de identificados os personagens a avaliação da proposta foi... – bem opinião é opinião, defendeu-se. Já à título de participar por participar, alguém entendeu que poderia haver nova reeleição para o comandante AAA, com o quê estaria resolvida a situação – já está lá, fique mais quatro anos. Não pode, ouviu-se em coro. Já terá dois governos seguidos. Em anos de mandato terão sido oito, mais quinze meses, mais seis anos e mais quatro anos, num total de dezenove anos e três meses. Será que deseja para si o fardo de mais tempo no comando da nau Agudo? Ninguém pode responder, senão o próprio, foi o consenso entre os à mesa.
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Ouviu-se o gongo da meia noite. Como nenhum dos cotados houvesse logrado aprovação no vestibular das preferências do grupo, cada um foi ter com seu travesseiro. Quem sabe a agradável noite outonal embalasse os sonhos revelando o enigma que vivemos. É, não sabemos, mas ele já está aqui.
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Com algumas variações este diálogo não é novidade. É da essência do processo de eleições livres que os eleitores conjecturem sobre os cargos que preencherão com a procuração constitucional chamada voto.
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Uma observação relevante: empreguei o gênero masculino para designar o cargo. Não há, nesta declinação de gênero qualquer conotação excludente das mulheres, das grandes mulheres.
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Nossa mãe terra, Senhor, / geme de dor noite e dia.
Será de parto essa dor? / Ou simplesmente agonia?!
Vai depender só de nos! / Vai depender só de nós!
(Refrão do Hino da Campanha da Fraternidade 2011)
Campanha da Fraternidade - CNBB 2011 – Tema: Fraternidade e a Vida no Planeta; Lema: A criação geme em dores de parto” (Rm 8, 22).
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Paz e Bem.

Coluna 61 - Publicada no jornal Correio Agudense - Edição de 30MAR2011


O dragão da inflação, que dormitava em bom berço, está acordando e já bafeja sobre os preços
 

A ECONOMIA brasileira dá sinais de fadiga e preocupa o governo e a nós. O dragão da inflação, que dormitava em bom berço, está acordando e já bafeja sobre os preços. É perceptível que os produtos que os brasileiros precisam – ou desejam – consumir estão mais caros. O governo federal está atento e precisa lidar com esta situação com muita sensibilidade, fazendo ajustes à bisturi, para não desequilibrar o mercado. Explico: um dos remédios, bem ortodoxo e recorrente, é a elevação da taxa de juros. E o governo vem aplicando esta receita, mas com muita cautela. Elevando demais os juros o governo estimula os investidores financeiros a migrarem seus capitais do setor produtivo para o da especulação. O Brasil já viveu esta ciranda e sentiu o risco de ficar à mercê do dinheiro que não tem fronteiras nem precisa passaporte.
O governo passado usou de estratégias bem articuladas para incrementar a produção e o consumo: baixou os juros da economia, ampliou o crédito e convidou a todos à farra do consumo. A indústria mal dava cabo de fabricar, o logista se apressava para repor as prateleiras, pois o brasileiro estava sempre às compras. As cidades se encheram de automóveis, as casas foram equipadas de A a Z, o guarda roupas apinhado de novidades. A nação viveu um tempo de fartura.
Mas a ressaca deste descontrole está no extrato bancário do governo e do povo. A conta herdada pela Presidenta Rousseff é astronômica. Entre despesas feitas e não pagas – caracterizando Restos a Pagar para o novo governo quitar – e os projetos do PAC lançados, anunciados, não realizados e deixados para o atual governo, fala-se em cifras astronômicas. No início do ano os números apareceram e só não causaram alarde por que o governo atual é filhote do passado e os foguistas da caldeira são os mesmos ou do mesmo grupo daqueles que atiçavam o fogo até o ano passado. A esta realidade se soma a necessidade de tocar o país no ritmo de país emergente, cuidando para não estagnar a indústria e inviabilizar o consumo.
Para os brasileiros a sedução do mercado foi tanta que fez com que as famílias comprometessem 24% de sua renda mensal com encargos de dívidas.
A ameaça da inflação, sentida no aumento dos preços nos supermercados, fica mais forte com os anunciados aumentos dos combustíveis, fator de custo que influi em quase toda a cadeia produtiva e de circulação no país.
Há saída para o governo e para o povo. Mas o remédio sempre é amargo. Medidas bem drásticas estão sendo anunciadas. Quando compreendidas e sentidas decerto vão desagradar, pois podem implicar no freio ao consumo, desacelerando a produção, com efeito direto na indústria.
Tem-se ciência de que o Brasil de hoje tem suporte, reservas e talento para administrar crises. Somos hoje um país melhor do que o de 10 ou 15 anos atrás, e sem comparação com o país tropical de antes do do plano real. No entanto, é necessário que governos e pessoas desenvolvam uma cultura que lhes permita conviver e assumir ajustes e arrochos nas contas, com vistas a melhorar a liquidez e resgatar a capacidade de poupança.
Não tendo vocação para economista, falo como assalariado e brasileiro quem tem olhos para ver, ouvidos para ouvir... e estas palavras e espaço para, escrevendo, falar.
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MUITA gratidão ainda será manifestada ao longo do tempo pela concretização do Memorial Pastor Brauer. Um apoio solicitado e com gentileza e muita boa vontade ofertado foi vital para que a instalação da estrutura acontecesse sem percalços. A Madeireira Beling foi procurada e o empresário Ênio informou dispor de um guindaste capaz de suspender o monólito esculpido e alçá-lo do caminhão para o pedestal, em operação de deslocamento de mais de 10 metros. Muito risco, pois a sensibilidade da estátua – na qual não se admitiria nenhuma avaria – era inversamente proporcional ao peso, de aproximadamente 1,3 tonelada. O qualificado equipamento, a calma e a perícia do operador Marcos Schiefelbein, deram tranquilidade à quem carregava a responsabilidade do êxito desta sui generis operação. As quase duas horas que demorou o serviço pareceram uma tarde inteira. No que a estátua pousou em seu pedestal um grande alívio pairou e a constatação de que os meios são, de fato, componentes decisivos para alcançar o fim. O ICBAA agradece, de coração, ao Ênio Beling e louva o empenho e o zelo do Marcos, que participou deste momento irrepetível para ele próprio e para Agudo.
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Paz e Bem.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Coluna 60 - Publicada no jornal Correio Agudense - edição de 23MAR2011

O Memorial Pastor Brauer é um espaço do cenário urbano de Agudo que é de todos. (...) – tem visitação aberta e incentivada.

O MEMORIAL E AS BÊNÇÃOS! Concebido para ser uma homenagem ao estimado líder luterano agudense pela passagem do centenário de seu nascimento, o Memorial Pastor Brauer transcende esta dimensão e passa a ser uma homenagem ao bem, ao amor e à fidelidade à doutrina cristã. Visitar este espaço de concepção arquitetônica despojada e bela é uma experiência com muito de transcendência. A contemplação da harmonia das linhas dos componentes deste agora espaço de inspiração desaloja a paz interior que se aninha no íntimo da gente, fazendo-a sentimento aflorado. Deixar-se ficar por algum tempo, silente, é alimentar com energética poção o cordeiro que temos em nós, minguando o lobo – ameaça constante no mundo em que vivemos.


Mirar a estátua do Pastor Brauer é ver pedra irradiando ternura. Pela mão do escultor Deus quis que uma rocha exprimisse amor e paz. É um sentimento novo, para um novo tempo de nossa comunidade.

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Embora esteja retratado na capa e em ainda outras páginas desta edição do CA, reproduzo a estátua nesta coluna. Pretendia publicá-la desde janeiro, quando foram feitas as primeiras “visitas ao Pastor”, em São João dos Mellos – Júlio de Castilhos. Impedido de fazê-lo pelo pacto feito no ICBAA, agora que foi descortinada, também eu quero mostrar esta peça de arte tão perfeita e a qual Agudo se apegou à primeira vista.



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As “visitas ao Pastor” fizeram com que a diretoria do ICBAA traçasse 540 quilômetros, em seis viagens. Em todas as ocasiões a amável recepção do Rogério Bertoldo e da Giselda – estimado casal que administra o Jardim das Esculturas. Ele, o artífice da pedra, tem o dom natural, transformado em talento com seguidos experimentos; ela, a acolhedora cicerone e incentivadora do trabalho do marido. São especiais.

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Ao referir visitas à escultura, lembro ser o Memorial Pastor Brauer um espaço do cenário urbano de Agudo que é de todos. Instalado no jardim do ICBAA – por consenso o lugar ideal – é de visitação aberta e incentivada. Com liberdade, atenção, zelo e o devido respeito, pode ser palmilhado livremente; as placas devem ser lidas, a estátua contemplada e... tocada. Por prudência e segurança foi instalado sistema de monitoramento, que não deve, contudo, constranger ninguém, uma vez que é acionado apenas quando não há expediente no instituto.

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Passado este acontecimento, o Instituto Cultural Brasileiro Alemão de Agudo se volta para os demais eventos, todos comemorativos do Pfarrer Brauers hundertjahrfeier. Dia 7 de maio a entidade promove recital do Coral Municipal de Vera Cruz. Será num sábado, às 20h15min, no Clube Centenário. A meta do ICBAA é que pelo menos 300 convidados assistam esta expressão de arte de cultura.

Depois deste recital os eventos culturais, ancorados na mesma comemoração, ganham o nome de Kultur Treffen, e acontecem em junho, agosto, setembro, outubro e novembro. Na medida em que se aproximam, serão divulgados.

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O ICBAA também lançou uma rifa, com premiação em dinheiro. Objetiva-se com esta campanha arrecadar fundos para a manutenção da entidade. Necessidade de meios de custeio há sempre. Na dinâmica das entidades, ficar parado é retroceder. Avançar é preciso. No entanto, para quase tudo é necessário dispor de dinheiro. O Instituto conta com a adesão de seus amigos e de quem por ele torce. O sorteio será em 7 de junho.

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A proposito, os associados são convidados a quitar sua anuidade de 2011. Basta contato com a Secretaria para satisfazer este preceito estatutário. E quem não é, ainda, associado, pode motivar-se a sê-lo.

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Paz e Bem.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Coluna 59 - Publicada no jornal Correio Agudense - Edição de 16MAR2011

 
A sociedade de Agudo pratica, hoje, um magnânimo gesto: atribuir ao Pastor Brauer,(...) o reconhecimento de que é digno pelos méritos que são sobrados.

GANHAR – No dicionário temos muitas acepções do que seja ganhar. Pode ser resultado de sair-se vitorioso em uma disputa; às vezes se ganha a aposta de galinhada na mesa de canastra. É também o ato de auferir, lucrar. Um bom negócio, onde houve lucro, representou ganho. Uma safra bem sucedida da semente ao faturamento, resulta em ganho. O trabalho é recompensado com o ganho do assalariado – muito ou pouco, mas ganho. O gesto do filantropo traz como ganho a alegria de servir, de ver a felicidade no outro. Pode representar ganho, também, o apoderamento, bem que este despótico, mas... ganho. Ganha-se no embate afetivo, consagrando a conquista da outra metade, por sedução, paixão e amor. Ao deboche ou ofensa pode-se também ganhar um tapa na cara. Na magnitude do ser mulher, ela ganha o filho, na perpetuação da espécie.

Também aparece a definição de que ganhar é o ato de receber algo por merecimento. Este ganhar prescinde de atuação de duas partes: a que dá – por que dá, quando dá, o que dá – e a que recebe: o que fez para merecer ganhar.

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MERECER – O glossário é claro ao descrever que merecer é ser digno de algo; é estar, por qualidades ou conduta, no direito de obter algo. Merecer é ter direito, por relevantes serviços prestados, à gratidão, ao reconhecimento.

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Na vida é assim? Quem ganha merece ou quem merece ganha? No jogo da economia, na cotação das deliberações pessoais ou da sociedade o ganho tem a exata medida do merecimento? Nesta avaliação cada um identificará situações que confirmam e situações que desmentem a sentença do merecer e ganhar e do ganhar e merecer.

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Por que faço esta dissertação sobre ganhar e merecer neste 16 de março? Desejo chamar a atenção para o fato que Agudo vive hoje e que tem um ato concreto de parte da comunidade. O Centenário de nascimento do Pastor Richard Rudolf Brauer. Hoje, à 100 anos passados nascia, na Alemanha, este digno senhor, que jovem pôs-se a serviço do reino de Deus, fazendo sua seara a terra agudense.

Ele hoje ganha um Memorial em sua honra. A partir de hoje ele está no panteão dos grandes personagens da história da humanidade (sim, Agudo é uma fração da humanidade) que tem sua imagem eternizada em uma estátua.

Por que a ele hoje se rendem tais homenagens? Por que ele hoje é alvo de tamanha atenção? Por que ele merece.

A sociedade de Agudo pratica, hoje, um magnânimo gesto: atribuir ao Pastor Brauer, em atitude póstera, o direito de receber, em demonstração de gratidão, o reconhecimento de que é digno pelos méritos que são sobrados.

Devo simplificar? O Pastor Brauer ganha, hoje, preces, placas e reconhecimento, por que merece. Simplesmente.

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Gravado em aço ler-se-á: “Sua vida foi um hino de louvor ao Criador. Pregou o amor e a paz; rezou Pai Nosso, pediu Pão Nosso. O homem – criatura divinal, a família – inspiração do amor a comunidade – mãos e mentes unidas para frazer e crer: pilares, fortalezas e razão de sua missão.” “Sein leben war ein Loblied für den Schöpfer. Er predigte über die Liebe und den Frieden der Menschen. Er betete das Vaterunser zum Dank Gottes für unser Täglich Brot. Der Mensch – eine göttliche Kreatur, die Familie – das geschenk von der Liebe Gottes, die Gemeinde – Hände und Verständniss vereinigt für tun und glauben: Säule, Kraft und Sinn Pfarrer Brauers Mission.”

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Nada mais precisa ser dito.

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Paz e Bem.

Coluna 58 - Publicada no jornal Correio Agudense - Edição de 10MAR2011

A Criação geme em dores de parto. (Rm 8, 22) Lema da Campanha da Fraternidade 2011 - CNBB)

QUARESMA é tempo de oração, de jejum e de caridade como práticas de conversão pessoal. Da quarta-feira de cinzas até o domingo de ramos são quarenta dias em que a pedagogia da igreja ajuda os cristãos a se re/encontrarem consigo mesmos e com os irmãos.

A prática da oração é a linguagem compreendida pelo espírito. Como ser transcendente dotado de espírito animador e santo, o homem pode valer-se desta interface com o Criador para dar significado à sua existência. Cada um sabe do que precisa para ter paz interior, condição primeira para emanar vida e poder amar. Sendo sincera e se nela houver propósito de conversão, a oração de suplica desperta na criatura a semente da ação e da realização plantada pelo Criador; se for de agradecimento, a oração desencadeará um processo de bênçãos dobradas – o orante receberá ainda mais e será pleno de bem e de paz.

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O jejum é a conscientização do limite do dispêndio, da gastança, do consumo. Viver com menos, percebendo que não precisa de tanto e de tudo. Muito apropriadamente simbolizado no comer menos e no não comer carne em determinados dias, o jejum do corpo deve ser, igualmente, jejum da mente e do bolso. Pode ser também jejum da sociedade com refreamento da ganância e da pseudo necessidade de parecer mais, de ter mais.

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A caridade é olhar para o outro e interessar-se de fato e com profundidade por sua vida.

Nesta quaresma a Campanha da Fraternidade da Igreja Católica – cujo conteúdo perpassa, todavia, o sínodo desta confissão de fé – clama que a sociedade tenha caridade para com a vida no planeta.

A Criação geme em dores de parto. São Paulo assim escreveu aos Romanos (8, 22). A Igreja de Roma, pela CNBB, faz desta apostólica afirmação o lema, dando voz ao clamor das irmãs criaturas todas que sofrem as consequências da degradação das condições de vida no planeta.

O cartaz que divulga a CF deste ano mescla a denúncia – a fumaça das chaminés das fábricas e o rio lodacento – com a esperança – a planta de hera e um broto de cipreste que, não obstante o caos ambiental, verdejam no cimento e a borboleta que lhe toca. Esta metodologia de despertar carrega consigo o objetivo geral da CNBB para este período rico da liturgia, de “contribuir para a conscientização das comunidades cristãs e pessoas de boa vontade sobre a gravidade do aquecimento global e das mudanças climáticas, e motivá-las a participar dos debates e ações que visam enfrentar o problema e preservar as condições de vida no planeta.”




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HUNDERTJAHRFEIER – O Centenário do nascimento do Pastor Richard Rudolf Brauer será comemorado no dia 16, quarta-feira da próxima semana, com a inauguração do Memorial em sua homenagem, no jardim do Instituto Cultural Brasileiro Alemão de Agudo, às 17h30min. Foi emocionante para o ICBAA conceber esta homenagem e encontrar, nas entidades as quais o Pfarrer Brauer se dedicou com especial carinho, a expressão de alegria pela demonstração de gratidão pública que será rendida.

Em 19 de janeiro nesta coluna fiz referência à um monólito, lembram? Não podendo ainda revelar o que estava por vir escrevi – quando Deus, pelas mãos do escultor, te desbasta, de ti sai o que escondias. Dás vida, para que a vida não seja esquecida. Era uma pista para interpretação de que daquela pedra mãos divinamente guiadas estavam a desbastar a figura da centenária persona grata de todos os agudenses. A partir do dia 16, no Memorial erguido em sua honra, estará a estátua do Pastor Brauer em tamanho natural, uma referência de bem para as gerações do hoje e do amanhã. Todos são convidados a acompanhar este ato.

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Paz e Bem.

terça-feira, 1 de março de 2011

Coluna 57 - publicada no jornal Correio Agudense - Edição de 2MAR2011

Sabedoria não é só pensar bem, não é só ter conhecimento e entender as coisas. Sabedoria é agir bem, resolvendo os problemas de forma eficaz, mas de forma ética, decente. (Moacyr Scliar)

MOACYR SCLIAR morreu domingo, dia 27 de fevereiro. Esta sentença dita que doravante não mais teremos sua verve literária ativa, eu diria. Mas ele viverá na obra que fica e que é tão extraordinária ao ponto de ser um dos imortais da Academia Brasileira de Letras – panteão de Machado de Assis, Olavo Bilac e tantos (está bem, o Sarney de Marimbondos de Fogo também tem uma cadeira lá, mas isto é outra história). Fará falta para a cultura. Farão falta seus artigos de leitura leve e inspiradora, sua forma de escrever às vezes tão lugar comum que parecia dois vizinhos conversando recostados ao muro, de cuia na mão.

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Quero que o Correio Agudense tenha um legado de Moacyr Scliar nesta edição (se acaso houver mais citações na edição, escusem-me a soberba). Entendo que a produção literária e intelectual de tão sábio homem deve ser referida, quando, muito contra a sua vontade, este desaparece. Com este propósito, reproduzo parte do artigo "Quando se trata de salvar a pele, o melhor mesmo é a astúcia", publicado em Zero Hora, em agosto do ano passado. É genialidade explícita, que merecemos ler e sobre a qual podemos refletir. (…)
Ao longo do tempo, as pessoas sempre recorreram aos livros e aos autores famosos com o objetivo de se tornarem mais sábias. Leitura, esse era o raciocínio, pode ser uma coisa difícil, mas o esforço valeria a pena se, como resultado, a pessoa se tornasse mais sábia. Cabe, contudo, a pergunta: será que este é um sonho comum à humanidade? Será que todos nós queremos a sabedoria? Será que no Brasil, em particular, é este um ideal?
Tenho minhas dúvidas. Sabedoria é uma condição que resulta de uma profunda compreensão do mundo e da condição humana. Nós não nascemos sábios, não nascemos com esta compreensão; temos de adquiri-la através da vida, e isso se faz mediante conhecimento (daí a necessidade da leitura) mas também graças ao "insight", o "conhece-te a ti mesmo", de Sócrates, mediante o qual aprendemos a não nos deixarmos iludir por nossa arrogância, a reconhecer nossas limitações e defeitos, a pensar e a agir de forma serena e desapaixonada. Agir, sim; sabedoria não é só pensar bem, não é só ter conhecimento e entender as coisas. Sabedoria é agir bem, resolvendo os problemas de forma eficaz, mas de forma ética, decente.

Um componente importante da sabedoria é a inteligência, a palavra que vem do latim e quer dizer entendimento. A pessoa inteligente entende, mediante o raciocínio e a experiência, as coisas, mesmo complexas. É uma habilidade que, diferente da sabedoria, pode ser avaliada, e até quantificada; daí os testes de inteligência, incluindo o famoso QI, quociente de inteligência, aliás objeto de controvérsia nos últimos anos.

Ser inteligente não é ser sábio: na sabedoria o furo está mais acima. A pessoa inteligente nem sempre age bem; a história da humanidade está cheia de vigaristas que aplicavam e aplicam golpes inteligentíssimos (os hackers, por exemplo). No fim essas pessoas se dão mal, exatamente porque lhes falta esse conhecimento maior que é a sabedoria.

Isso é ainda mais verdadeiro no caso da astúcia, que não é sabedoria nem inteligência. É uma coisa menos sofisticada, mais primitiva, daí porque, nas fábulas, é simbolizada por um animal, a raposa. A raposa não é sábia nem inteligente; a raposa é astuta. Astúcia é a habilidade de enganar; astúcia é manha, esperteza. (...) Astucioso é o cara que procura no outro bolso; é o cara que sabe como roubar. Isso explica por que a astúcia é ainda tão valorizada no Brasil: porque representa uma maneira fácil de conquistar as coisas, de subir na vida. Se vocês perguntarem a alguém como se ganha eleições, se com sabedoria, com inteligência ou com astúcia, a pessoa certamente optará por esta última alternativa, atrás da qual estão séculos de safadeza e de corrupção. Mas é que as duras condições da vida em nosso país, a pobreza, a desigualdade, deixaram esta lição: para sobreviver é preciso ser astuto, esperto. É muito glamouroso ser inteligente, é digna de admiração a pessoa sábia; mas, quando se trata de salvar a pele, o melhor mesmo é a astúcia.

Compreensível. Mas não satisfatório. Nós só chegamos à verdadeira maturidade quando a astúcia reconhece a importância da inteligência e quando esta é um recurso para atingir a sabedoria. Um Brasil sábio deveria ser o nosso objetivo maior.”


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Ao final desta coluna faço uma confissão pública: sinto inveja do povo de Paraíso do Sul que teve o prazer de conviver com Moacyr Scliar quando o pessoal da cultura de lá teve respeito pela literatura e convidou-o para ser patrono de uma de suas Feiras do Livro. Parabéns! Vocês, paraisenses, poderão dizer: Scliar esteve aqui! Já aqui no Torrão...

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Paz e Bem.